quinta-feira, 5 de julho de 2007

Ela, a Síndrome e Eu

Minha professora tem Síndrome do Pânico ou Ansiedade Paroxística Episódica. Longe de mim querer brincar com algo sério assim. Até mesmo para alguém com espírito de porco como eu, piadas de mau gosto também possuem um certo limite. Para quem não sabe, esse tipo de transtorno é um problema sério de saúde, que desencadeia crises sem aviso prévio. Entre os sintomas, há contração muscular, palpitações, tontura, dificuldade de respirar e distorções de percepção da realidade. Obviamente, não desejo isso a ninguém e, em uma situação normal, compreenderia facilmente as dificuldades que minha professora deve ter para encarar essa doença. Agora, o que fazer quando o problema de outra pessoa passa a ser o seu problema? Bem, se essa pessoa ocupa uma posição superior à sua em qualquer meio, seja ele acadêmico ou profissional, meu conselho é: senta e chora, neném!

Se você estuda em uma universidade pública, sabe tão bem quanto eu que o aluno muitas vezes é tratado como um fétido pedaço de merda. Desde que ingressei na faculdade há dois anos, já tive aula com professores estúpidos, professores retardados, professores burros, professores preguiçosos, professores caras-de-pau e por aí vai. Já lidei com funcionários mal-educados, já me deparei com mictórios transbordando e, conseqüentemente, já passei mal com o insuportável cheiro de mijo no banheiro. Já enfrentei greve de ascensoristas e subi 22 andares a pé. Já tive piriri após comer um salgado na cantina. Pensei que já havia visto de tudo naquela porcaria. Então, neste período que, felizmente, está prestes a terminar, veio a Síndrome do Pânico. Resultado: a mulher só deu as caras na universidade umas cinco ou quatro vezes em mais de três meses de aula.

Porém, como eu disse ali em cima, em uma situação normal, deixaria meu lado compreensivo aflorar, afinal, doença não é brincadeira. O problema é que a professora admitiu que é complicado levantar pela manhã em decorrência dos fortes medicamentos que ela deve ingerir à noite. Logo, se ela tem consciência disso, por que trabalhar no turno da manhã, caralho? E a aula é às 7 horas, goddamnit! Porra! Puta que pariu! Calma, Tigrão, controle-se...

Sendo assim, pensando no bem-estar de meus companheiros universitários, postarei aqui, em primeira mão, a cartilha de Como Lidar Com Sua Professora Se Ela Tiver Síndrome do Pânico. Espero que ela possa lhes ser útil e poupá-los de maiores irritações no futuro.

PASSO 1: Esqueça o calendário

Normalmente, os professores distribuem no início de cada período um calendário com as datas e conteúdo das aulas para que o aluno possa se orientar. Se a sua professora com SP lhe entregar um desses, esqueça. O motivo é óbvio: ela estará incapacitada de dar aula em diversas ocasiões e o calendário se tornará obsoleto.

PASSO 2: Não tente estabelecer um padrão

Como assim? No primeiro dia de aula, minha professora apareceu. No segundo, não. No terceiro, sim. No quarto, não. No quinto, sim. Dessa forma, muitos colegas de turma imaginaram que ela fosse permanecer com essa regularidade. Resultado: no sexto dia de aula, a mulher brotou por lá. Muitos mataram aula e se foderam. Portanto, fique puto, soque a parede, xingue a mãe de todo mundo, mas não deixe de comparecer a todas as aulas.

PASSO 3: Seja compreensivo

Você, como aluno, sabe que o professor está sempre com a razão. Ele pode tirar as calças em sala e cagar bem em cima da sua cabeça e, se você soltar um pio, certamente ouvirá um sermão daqueles. Assim, se a sua professora com SP começar a faltar muito, siga o conselho da Marta Suplicy: relaxa e goza. Veja bem, não estou defendendo o fato de que os alunos devam abaixar a cabeça quando algo os incomoda. Aliás, isso é o que mais me deixa puto da vida com a minha querida turma. Porém, é preciso saber reconhecer quando os seus protestos não adiantarão porra nenhuma. Nesse caso, acredite, não adiantarão, principalmente se sua professora tiver um conceito alto na universidade.

PASSO 4: Não seja fofoqueiro

Isso é regra geral, mas se torna ainda mais necessária quando se trata de uma situação delicada como essa. Jamais fale mal de sua professora desaparecida na frente de outros professores. Esse pessoal adora uma fofoca e você acabará levando um belo esporro.

PASSO 5: Não chegue atrasado

Sua professora com SP chegará com meia hora de atraso no mínimo. Entretanto, ela fará chamada. Esteja presente.

PASSO 6: Não freqüente aulas extras

Ver PASSO 7.

PASSO 7: Não estude para a prova

Minha turma estava desesperada com a quantidade de matéria que cairia na prova, uma vez que as aulas ministradas haviam sido muito corridas. A professora marcou aulas extras para completar o programa e incluiu todo o conteúdo dessas aulas não-obrigatórias no programa da avaliação. Mas não arranque os cabelos por isso. Lembra-se do PASSO 1? Se a prova estiver marcada no calendário, esqueça. A professora não apareceu no dia da minha prova. Consultei ex-alunos dela, que informaram que o mesmo ocorreu com eles. Assim, a conclusão é evidente.

PASSO 8: Não mande e-mails educados

Irritado com o sumiço da professora? Não sabe o que fazer? Pois, o que você não deve fazer em hipótese alguma é mandar um e-mail. Ela interpretará como deboche.

Faça bom proveito e divulgue. Nunca se sabe quando alguém irá precisar.

9 comentários:

Anônimo disse...

É amigo, só nós sabemos o q passamos nakela faculdade! Espero q seu singelo "manual de instruções" ajude pessoas com o msm problema q o nosso!
Bjs

Anônimo disse...

Você, muito provavelmente, vai ficar puto com o meu comentário...

*Sem comentários!*

É duro admitir que, em certos aspectos (MUITOS deles, diga-se de passagem!), você tem simplesmente...RAZÃO! ¬¬
Oh, linguinha ferina, héin!
Pelo menos eu tentei fazer alguma coisa... Da próxima vez, seguirei seus conselhos...

Anônimo disse...

Falta mais um passo:


Nunca fale pra professora que você foi mais vezes à aula do que ela, mesmo que não tenham coincidido em ir nos mesmos dias, porque ela vai mandar um puta trabalho nas suas costas.

Anônimo disse...

"não seja fofoqueiro". Não divulgue o problema da pobre coitada em meios de comunicação em massa, como por exemplo, a internet. Ela pode ter crises agudas de perseguição !
te cuida, angelzinho, a dona SP vai te pegar !

adorei o blog, gostei de ver você escrevendo (tão bem quanto) coisas diferentes das resenhas !

Unknown disse...

Fala, coisinha! Blz?!

Tb adorei o novo blog e nada melhor do q um post em homenagem a desapareCida p/ inicia-lo c/ o pe direito... :P

Esse seu manual eh mesmo mto util, mas eu nao precisarei mais dele, visto q nunca voltarei a me inscrever numa materia cuja professora tenha SP... Ele me ajudaria mto se vc o tivesse criado ha 3 meses atras... Pena q só agora vc tenha experienciado o sufuciente p/ confecciona-lo... lol

Bjos, até.

Veronica Mars disse...

Sensacional!Uaa homenagem e tanto!
tomarra q ela não leia blogs!hahhahahah

bjs

Anônimo disse...

Eu gostaria de contribuir com uma análise do post, visto que o mesmo é um exemplo de um "instructional genre"...

Audience: Atuais (e futuros) alunos da prof. com SP
Purpose: Orientar os alunos que se encontram confusos diante da presente situação

Os rhetorical moves de Swales também estão presentes, e notamos também o uso de verbos no imperativo...


Análises a parte... ficou PERFEITO!
Já que a nossa situação não tem mais jeito, que pelo menos os próximos coitados leiam e aprendam a lidar com ela...

Beijo!

Anônimo disse...

Aaaaaaah, e vc pode incluir o PASSO 9!

* Não marque um café da manhã no horário da aula, pq justamente nesse dia ela vai aparecer!

Anônimo disse...

Sou a favor da inserção dos passos sugeridos pelo Raphael e pela Capeta. Fora isso, o post está animal. Pena que custou um semestre para tornar as conclusões sólidas.
Pra encerrar: quais foram os cagões que botaram anônimo? Vão cagar pô! Ah, e o blog da Lívia nao existe.