Lá estava eu, em mais uma tediosa aula de Literatura Portuguesa, olhando para o nada, imaginando quanto tempo dura o orgasmo de um mosquito. Nada fora do ordinário. O professor estava um porre como sempre, lendo poesias que pareciam ter umas 753 páginas cada. Para você ter uma idéia do tamanho da chatice desse cara, o mito Jack Bauer, que já enfrentou os mais terríveis terroristas, foi reprovado por ele, pois o tempo de duração da aula passa das 24 horas. Imagine, se nem o intrépido agente/ex-agente da CIA agüentou, como um pobre menino desnutrido como eu poderia agüentar? Só mesmo pensando em algo ainda mais inútil do que Jerónimo Bahia ou em um pouco de sacanagem a fim de apimentar um pouco as coisas. Como a segunda opção poderia acarretar uma situação um tanto embaraçosa, acabei na relação sexual do pequeno inseto.O tempo não passava nem fodendo e o sono começava a ameaçar meus pensamentos viajantes. Até que, subitamente, algo chegou a meus ouvidos por acaso e acabei deixando meus devaneios se dissiparem. "A Luciana vai ter problema na coluna, senta ela direito", disse o professor entre um verso e outro. Opa, isso não tinha cara de poesia do século XVII! E não era. Ele estava se dirigindo à criança.
Muito bem, pausa. A criança era a filha de uma colega de classe, uma gracinha de menina, que deve ter feito uma merda muito grande em casa para a mãe arrastá-la até essa aula.
Continuando. Na hora, achei até legal da parte do Chato se preocupar com o bem-estar da menininha. Porém, essa impressão logo de desfez. "Vamos colocar a Luciana no sol? Ela tá muito amarela, vamos colocá-la no sol", foram as palavras. Porra, que escroto! E a mãe da garota estava sorrindo! Será que a garota realmente estava amarela? Problema no fígado? What the...?
Então, notei que um detalhe havia escapado de meus olhos de lince com quase três graus de miopia. A menina segurava uma boneca junto ao peito. Sua filha, Luciana. Luciana, a boneca. Luciana, amarela. O professor largou Camões ou whatever, atravessou a sala e postou uma carteira em frente à janela. Depois, ajeitou Luciana confortavelmente no sol da manhã.
Por que eu tive a ligeira impressão de que ele estava doido para brincar de casinha? Afinal, já vi professores pararem a aula a fim de dar esporro em alguém, fazer comentários cretinos a respeito do governo, narrar histórias imbecis sobre sua juventude ou contar piadas sem graça. Agora, interromper a leitura para colocar uma boneca no sol? Esquisito, hein? Hum... esquisito, não. Eu diria que é coisa de veado mesmo.
No fim, Luciana foi a única que ganhou alguma coisa nessa história toda: um belo bronzeado.

6 comentários:
O apelido "Jack Bauer", inventado por mim, caiu mto bem ne nao? Pelo menos nessa segunda terá a ultima temporada da serie! huahuahua
Bjos
viadão esse professor hem!
hahahah
mto bom o texto daniel, ri muito.
beijocas.
Porra!
Eu perdi esse episódio de 24 horas!
Graças a Deus essa série termina na 2ª feira!
E qualquer dia desses ainda pergunto pra Elisangela que mal a menina fez pra ter que ir pra aula 24h...
é uma bicha akele chato ....
vamos aparecer tds com bonecas na 4a?hahahaha
A, o Jack trabalha na CTU...
E o apelido 24 horas é um eufemismo pra aula dele...ainda bem q acaba amanhã
Agora sim podemos dizer que já acabou! Quer dizer, muito simpático da parte professor, fazer a gente voltar no dia 30 pra pegar a prova. Ele quer que a gente estude com muito amor e carinho enquanto não temos certeza da aprovação. A MATÉRIA TODA. Putz...
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